Chego em casa lá pelas oito horas, estaciono o carro na garagem, desço do carro e caminho em direção a porta. ‘Nossa estou muito cansada!’
No momento que vou abrir a porta noto uma carta presa à porta, ja sabendo o que aquela carta significa, olha a data de hoje no relógio. 'Hoje é dia 12 de fevereiro. Não tem nada especial.’
Cedendo à curiosidade abro a carta e noto que a carta é mesmo do Neto, pois só ele tem o costume de escrever ao contrário, pego meu espelho de maquiagem dentro da bolsa, e arrumo a carta na frente dele, de uma forma que eu consiga ler seu reflexo:
'Oie meu amor, eu sei que você sabe que não é nenhuma data especial hoje, mas dia 12 de fevereiro em breve se tornará um dia que você nunca esquecerá. Agora para melhorar as coisas vamos começar as charadas: Quando as coisas ficam quentes, e sua esposa esta sem calcinha, você interrompe até seu passatempo favorito para se satisfazer.’
“Ahhh mesa de jantar!!” eu digo em voz baixa.
O passatempo favorito do Neto é comer. E nós transamos na mesa de jantar no nosso aniversário de casamento, e meu presentei foi jantar sem calcinha.
Abro a porta, e me surpreendo pelo silêncio, pois é bem raro momentos assim. Coloco minha chave do carro no porta chaves, e coloco a bolsa na estante onde fica o telefone. Por um momento penso em chamar o Neto, mas lembro que ele está me esperando com o presente em algum lugar. Decido me encaminhar com rapidez a sala jantar, porque não gosto nem um pouco dessa casa em silêncio.
Chego na sala de jantar e vejo a outra carta em cima da mesa, mas o que me surpreende é o que está apoiado em cima da carta. Duas algemas e um mordaça. Que estranho eu e Neto nunca usamos isso, desde quando ele tem?
Decido parar de pensar nisso, porque uma pontada de raiva ja estava me dominando. Abro a carta e coloco na frente do meu espelho de maquiagem que ainda está na minha mão; junto com a outra carta, e leio:
'Oi amor; ainda não usamos nenhum apetrechos nas nossas transas, mas seria hoje um bom começo para isso, pega a algema e veja como a sua textura e fria e ao mesmo tempo quente. Leve a algema e mordaça com você. Agora a próxima charada: Aqui decidimos casar, aqui decidimos nossa família aumentar, e aqui tentamos a família aumentar.’
“Nossa cama!!” eu digo, ainda com a voz baixa.
Antes de me dirigir pro quarto, eu pego a algema e a mordaça, e percebo que o Neto realmente tem razão, é fria e quente ao mesmo tempo.
Pego as cartas e o espelho e subo as escadas, e vou para a segunda porta à esquerda, entro no nosso quarto, e vou em direção a um objeto em cima da cama, estranho, é uma tesoura, e em baixo dela esta a carta, abro ela, posiciono o espelho e leio:
'Oi amor; então você deve estar se perguntando para que essa tesoura ne? Então essa tesoura na verdade você deve levar junto com você, porque é com ela que irás abrir seu presente. Mas você deve deixar as algemas e mordaça na nossa cama. Agora à próxima charada: Aqui passamos noites chuvosas, e frias, com um aquecendo o outro, e como dizem, sem roupa esquentamos mais rápido.“
"A sala de estar!” eu digo, pegando as cartas, tesoura e o espelho. E deixando as algemas e mordaça em cima da cama.
Saio do quarto desço as escadas, e vou em direção a sala de estar, assim que entro na sala um ar quente me aquece, estranho estamos no verão, mas Neto ligou a lareira. Vou em direção, e vejo que tem outra carta no tapete em frente a lareira. Me sento no chão, abro a carta, posiciono o espelho e leio:
'Oi amor; aqui passamos noites bem felizes, cheias de risadas e amor, foi nessas noites que eu soube o quanto te amava de verdade, e o quanto que eu queria ficar para sempre com você, porque como você dizia, somos duas partes de uma só alma. Os astrólogos de hoje em dia, dizem e afirmam que o sol é o centro do nosso universo, mas sabe o que eu digo? Ele não conhecem você! Eles não sabem como você tem esse poder de fazer as pessoas adorarem você. Quero que você saiba que você é, foi e sempre será o amor da minha vida, você é meu Sol, Alice! Agora antes de dar a última charada, quero que quando você terminar de ler a carta, você queime todas as cartas na lareira, você não vai precisar dessas cartas para lembrar tudo o que eu disse, eu tenho total certeza que você nunca esquecerá, porque nosso amor viverá para sempre, eu te amarei para sempre, não se esqueça de levar a tesoura. Última charada:
'Em momentos quando a casa se enchia, tinha só um lugar para onde nós fugiamos e nos satisfaziamos.’
“O porão!” eu digo com a voz rouca, pois as palavras do Neto me fizeram chorar.
Assim como ele pediu para fazer eu queimei as cartas, peguei a tesoura e fui em direção ao porão. Antes de abrir a porta do porão, eu tomo fôlego e mais uma cachoeira de lágrimas vem, só por pensar o que pode estar do outro lado da porta, aposto que é uma surpresa muito sexual, pois esse é o jeito dele.
Abro a porta e desço as escadas, assim que vou descendo as escadas acho estranho, como a luz está apagada?, desço até o último degrau, e vou tateando a parede para achar o interruptor. Assim que acendo a luz ouço um grito, e leva uns dois segundos para eu perceber que o grito é meu.
Na minha frente tem uma corda amarrada no apoio do chão do primeiro piso, e tem um corpo pendurado pela corda.
“NETO!” eu grito em meio as lágrimas.
Vou em direção a ele, e vejo o rosto dele já sem cor, e com a boca aberta, morreu tentando tomar fôlego. Fico desesperada procuro pelo chão algo para que eu possa cortar a corda, e lembro da tesoura em minha mão. Pego a cadeira que pelo jeito Neto uso de apoio antes de pular, e subo nela, tento cortar a corda com a tesoura, leva um tempo até que enfim consigo. Tento segurar o corpo dele mas é pesado demais, então ele cai com um baque surto no chão, desço da cadeira, e coloco a cabeça dele no meu colo.
“O que você fez?” eu pergunto para seu corpo ja sem vida.
Encosto minha cabeça na dele e deixo todas as lágrimas sair, quando levanto a cabeça noto; que os pulsos dele estão roxos, como se ele tivesse preso por… algemas?
De uma vez só percebo várias coisas, e olho para o corpo dele assustada. Você não fez isso!
Me levanto e empurro a cabeça dele para o lado com muita força.
“Você estava pensando o que seu filho da puta? Isso é algum tipo de brincadeira?” eu grito.
Começo a olhar a redor a procura de algo; e noto no fundo do porão um mural de fotos, me a próximo e vejo as fotos. Meus olhos se arregalam, são fotos minhas com o João Pedro, o irmão do Neto, e nas fotos eu e o João estamos se beijando e transando. Eu me viro e pergunto para o corpo:
“Como você conseguiu isso?” pergunto assustada.
Num passe de raiva, arranco todas as fotos do mural, rasgo e jogo no lixo próximo.
Quando termino com as fotos, eu ouço a sirene da polícia, e as luzes. Olho para o corpo inerte do Neto, e as intenções dele ficam bem claras, fecho os olhos e digo:
“Muito esperto você! Agora tem digitais minhas nas algemas e na mordaça, vão pensar que eu te mantia prisioneiro, e como você não sai de casa, os vizinhos testemunharam, sem contar as digitais na tesoura e na corda. E no final de tudo você fez eu queimar as provas de que na verdade foi suicídio; com todas essas provas eu irei presa na certa, nenhum juiz irá me absolver, e você sabe disso. Mas veja só, se você acha que eu vou ser presa, estas enganado, no final não correrá igual seu plano.” eu digo.
Vou na direção dele, eu piso repetidas vezes na sua cabeça, e pego a tesoura no momento que ouça a polícia arrombando a porta principal, como fiz um curso de enfermagem, sei o local certo, e com toda minha força, enfio a tesoura no meu pescoço, bem na jugular. No começo não sinto nada, ai de repente vem aquela cachoeira de sangue, eu caio no chão, ao lado do corpo do Neto, mas antes de perder consciência, eu tiro a tesoura do meu pescoço, e enfio bem na testa do Neto. E tudo fica escuro de repente, como se eu tivesse pegado num sono profundo.